Os 5 ritmos de Jack Daniels: o que cada um treina e quanto fazer
Para que serve cada ritmo de Jack Daniels (E, M, T, I e R), a fisiologia por trás, a dose por sessão e como tirar os seus de uma prova recente.
Por Abner SantanaTreinador e criador do Magic Training
20 min de leitura

Jack Daniels organiza o treino de corrida em cinco intensidades, cada uma com uma função. E (fácil) constrói a base e M (maratona) ensaia a prova. T (limiar) melhora a remoção de lactato, I (intervalo) estimula o VO2máx e R (repetição) treina velocidade e economia. Os cinco ritmos saem de uma única medida, a pontuação de forma que as tabelas de Daniels atribuem a uma prova recente, e por isso são proporcionais entre si (Daniels, Daniels' Running Formula, 4ª ed., cap. 5). Quem conhece a função de cada ritmo sabe quando correr forte, quando segurar e quanto fazer de cada um numa sessão.
Este guia explica o que cada letra treina e em que faixa do VO2máx e da frequência cardíaca máxima ela fica segundo o próprio Daniels. Mostra também o formato e a dose de cada sessão e os erros que mais estragam o método. No fim, você vê como um plano Daniels do catálogo distribui as cinco intensidades numa semana e como tirar os seus ritmos de uma prova recente na calculadora mágica.
Em resumo
- E (59 a 74% do VO2máx), M (75 a 84%), T (83 a 88%), I (95 a 100%) e R (velocidade, sem relação direta com o VO2máx) são as cinco intensidades de Daniels. Cada uma treina um componente diferente, e os cinco ritmos vêm da mesma prova recente.
- A dose por sessão é regra do método: T até 10% do volume semanal, I até 8% (máximo 10 km), R até 5% (máximo 8 km), M até 110 minutos ou 29 km, longão até 25 a 30% do volume da semana.
- Repetições de I duram 3 a 5 minutos porque o corpo leva cerca de 2 minutos para chegar ao VO2máx; repetições de R ficam abaixo de 2 minutos, com pausa de 2 a 3 vezes o tempo de trabalho.
- Os erros mais caros: correr o fácil moderado, tirar os ritmos da meta em vez de uma prova recente e correr o I mais rápido "porque aguenta". Num estudo com repetições muito curtas, de 15 segundos, correr a 110% da velocidade do VO2máx rendeu metade do tempo no VO2máx.
- Na semana, Daniels intercala sessões de qualidade (Q) com dias E; no plano de maratona são duas Q por semana, e o resto fácil de verdade.
De onde saem os cinco ritmos
Daniels parte de uma prova recente, não de uma meta. O tempo de uma prova corrida de verdade vira uma pontuação de forma nas tabelas do livro. Cada pontuação tem um conjunto fixo de ritmos E, M, T, I e R (Daniels, Daniels' Running Formula, 4ª ed., cap. 5). A calculadora mágica faz a mesma conversão: você digita a distância e o tempo da prova, e ela devolve o Índice Mágico, a versão da calculadora para a pontuação de forma de Daniels, e os cinco ritmos. Uma prova dos últimos dois ou três meses, de 5 km a maratona, serve. Quanto mais parecida com a prova-alvo, melhor a estimativa.
A tabela abaixo resume o que cada ritmo treina, a faixa fisiológica que Daniels atribui a ele no capítulo sobre tipos de treino e intensidades e a prova em que você o sustentaria. As faixas de VO2máx e de FCmáx são do livro; a equivalência com provas também. Use a frequência cardíaca como referência, não como alvo: a mesma porcentagem da FCmáx cai em zonas diferentes para corredores diferentes (Nuuttila e colegas, 2025).
| Ritmo | O que treina | % do VO2máx | % da FCmáx | Em prova, você sustentaria | Sensação |
|---|---|---|---|---|---|
| E (fácil) | coração, capilares, mitocôndrias; resistência a lesão | 59 a 74% | 65 a 79% | horas | conversa inteira |
| M (maratona) | ritmo de prova, uso de combustível, confiança | 75 a 84% | 80 a 90% | a maratona | frases longas |
| T (limiar) | remoção de lactato, resistência ao ritmo forte | 83 a 88% | 88 a 92% | cerca de 60 minutos | "confortavelmente difícil" |
| I (intervalo) | VO2máx | 95 a 100% | 98 a 100% | 10 a 15 minutos (3 a 5 km) | difícil, mas controlado |
| R (repetição) | velocidade, economia de corrida, mecânica | acima do VO2máx; não é definido por ele | não se aplica | cerca de 1.500 m a 1 milha | rápido e solto |
Ritmo E: a base de tudo
O ritmo E é onde fica a maior parte dos quilômetros de qualquer plano de Daniels. Entre 59 e 74% do VO2máx (65 a 79% da FCmáx), ele é confortável o bastante para conversar e lento o bastante para repetir no dia seguinte (Daniels, 2022, cap. 4). Daniels atribui a essa intensidade o desenvolvimento do músculo cardíaco, da rede de capilares e das células musculares que usam oxigênio, além de resistência a lesões pelo volume acumulado com pouco impacto metabólico.
A prática de elite concorda com a proporção. Em corredores de nível mundial, pelo menos 80% do volume de corrida fica em baixa intensidade ao longo do ano (Haugen e colegas, 2022). As rodagens fáceis deles são cerca de 3 a 5 km/h mais lentas que o ritmo de maratona. A lógica completa da distribuição está em treino polarizado 80/20.
Dose do ritmo E
E serve para aquecimento, volta à calma, dias de recuperação entre sessões de qualidade e o longão. No livro, Daniels limita o longão ao menor valor entre 25% do volume semanal e 150 minutos para quem corre mais de 64 km por semana; abaixo disso, 30% do volume (Daniels, 2022, cap. 4).
Para um corredor de 60 km semanais, isso dá um longão de 18 km, perto de 1h45 em ritmo E. O resto do longão de maratona está em longão de corrida.
Na elite, as rodagens fáceis duram 40 a 70 minutos (Haugen e colegas, 2022). Daniels sugere acrescentar tiros curtos e soltos (strides) ao fim de dois dias E por semana (Human Kinetics, excerto do programa de Daniels). O ritmo de recuperação, que a calculadora mostra separado, é a borda lenta da faixa E.
Quando o fácil vira moderado
Esse é o erro mais comum e o que mais custa. Em 165 corredores recreativos, o primeiro limiar de lactato ficou em média a 80,7 ± 4,9% da FCmáx (Nuuttila e colegas, 2025). Quem corre o E a 85% já passou do primeiro limiar e está na zona que Daniels reserva ao M. Em corredores altamente treinados, a variabilidade da frequência cardíaca voltou ao normal 5 a 10 minutos depois de 60 ou 120 minutos abaixo do primeiro limiar ventilatório. Depois de 30 minutos entre os limiares, levou cerca de 30 minutos, o mesmo que depois de um intervalado (Seiler, Haugen e Kuffel, 2007). No sistema nervoso autônomo, a rodagem moderada custou a recuperação de um intervalado sem entregar o estímulo de um.
Ritmo M: ensaio da prova
O ritmo M é o ritmo em que você pretende correr a maratona, entre 75 e 84% do VO2máx (80 a 90% da FCmáx) (Daniels, 2022, cap. 4). Fisiologicamente ele fica perto do E longo; a diferença é o propósito. Daniels usa o M para o corredor se acostumar ao ritmo de prova, aprender a beber e comer nele e ganhar confiança de que consegue sustentá-lo cansado. Em mais de 25 mil maratonistas recreativos, a maratona foi corrida em média a 84,8% da velocidade crítica, e os mais rápidos chegaram a 93% (Smyth e Muniz-Pumares, 2020). O M fica, portanto, bem abaixo do limiar, e deve parecer sustentável quando começa.
Dose do ritmo M
M aparece como corrida contínua ou como blocos dentro do longão: 8 km fáceis, 13 km em M, 9 km fáceis, por exemplo. No livro, uma sessão em ritmo M fica limitada ao menor valor entre 110 minutos e 29 km (Daniels, 2022, cap. 4).
Para quem mira 3h30, 29 km em M levam quase 2h25, então o teto prático é o dos 110 minutos, cerca de 22 km. Quem treina para a meia pode usar o M como corrida "firme" de resistência, mas o ritmo específico da meia é o T. A estrutura da fase específica está em treinar para maratona.
Ritmo T: "confortavelmente difícil"
O ritmo T é o limiar de lactato na definição de Daniels: a intensidade mais alta em que a produção e a remoção de lactato ainda se equilibram. No livro, ele fica entre 83 e 88% do VO2máx (88 a 92% da FCmáx), mais perto de 86 a 88% em corredores bem treinados, e corresponde ao ritmo que um corredor descansado sustentaria em prova por cerca de 60 minutos (Daniels, 2022, cap. 4). Na prática, para a maioria dos amadores ele fica entre o ritmo de 10 km e o de meia; para quem fecha a meia em cerca de uma hora, é praticamente o ritmo de meia.
O objetivo do T é ensinar o corpo a remover lactato na mesma velocidade em que o produz e, com isso, empurrar o limiar para cima. É o treino mais específico para a meia, e a dose decide o resultado. Num ensaio de 9 semanas, o grupo que fez 54% do treino entre os limiares não melhorou de forma significativa nenhuma variável de desempenho (Stöggl e Sperlich, 2014). A análise completa está em treino de limiar para meia maratona.
Dose do ritmo T
Daniels usa dois formatos. O tempo run é uma corrida contínua de cerca de 20 minutos em T. Os cruise intervals são repetições de 3 a 15 minutos em T com pausa curta, cerca de 1 minuto para cada 5 de trabalho. Exemplos: 5 × 1 milha com 1 minuto, 3 × 2 milhas com 2 minutos ou 4 × 10 minutos com 90 segundos. Em qualquer formato, o trabalho em T de uma sessão não passa de 10% do volume semanal (Daniels, 2022, cap. 4).
Com 60 km por semana, são 6 km em T, ou 5 × 1.200 m; com 100 km, 10 km, ou cerca de 2 × 20 minutos.
Se a sessão termina parecendo uma prova de 10 km, o ritmo estava acima do T e o treino mudou de zona. O sinal certo: nas últimas repetições você ainda faria mais uma sem forçar a respiração.
Ritmo I: o treino de VO2máx
O ritmo I é a intensidade que leva o consumo de oxigênio ao máximo: 95 a 100% do VO2máx, 98 a 100% da FCmáx (Daniels, 2022, cap. 4). Em prova, é o ritmo que você sustentaria por 10 a 15 minutos, perto dos 3 a 5 km para um amador. Daniels prescreve I para elevar o VO2máx, e a literatura aponta na mesma direção para corredores treinados. A revisão de Midgley, McNaughton e Wilkinson (2006) conclui que treinar no VO2máx ou perto dele é provavelmente a intensidade mais eficaz para melhorá-lo em corredores bem treinados. A função do VO2máx no desempenho está em VO2máx na corrida.
Dose do ritmo I
A duração da repetição vem da fisiologia. Daniels observa que o corpo leva cerca de 2 minutos para chegar ao VO2máx partindo do repouso, então cada repetição precisa durar o suficiente para passar tempo lá. O ideal é 3 a 5 minutos, e repetições mais curtas só funcionam com pausas também curtas (Daniels, 2022, cap. 4). A revisão de Buchheit e Laursen (2013) propõe o mesmo critério: o estímulo ótimo inclui vários minutos por sessão acima de 90% do VO2máx. Para um corredor com I de 4:16/km, 3 a 5 minutos são 800 a 1.200 m.
A pausa é um trote igual ou um pouco mais curto que o tempo de trabalho, para que o consumo de oxigênio não caia até a base e a repetição seguinte suba mais rápido. A dose por sessão é o menor valor entre 8% do volume semanal e 10 km em I (Daniels, 2022, cap. 4).
Com 60 km por semana, são 4,8 km: 6 × 800 m ou 4 × 1.200 m. Formatos e progressões estão em treino intervalado de corrida.
Por que não correr o I mais rápido
Mais rápido que o I não é mais VO2máx; é outro treino. Num estudo com corredores de meia-idade e repetições muito curtas, de 15 segundos, correr a 110% da velocidade do VO2máx rendeu cerca de 7 minutos no VO2máx (Billat e colegas, 2001). Os protocolos a 90 a 100% renderam 14 minutos, com lactato mais baixo no fim: 9 contra 11 mmol/L. O estudo usou repetições curtas, não as de 3 a 5 minutos de Daniels, mas aponta na mesma direção da regra do método. Se você termina as primeiras repetições com folga e acelera, as últimas encurtam ou a pausa estica, e o tempo acumulado no VO2máx cai. O ritmo da tabela é o alvo; a sensação de "ainda dá mais" nas primeiras repetições faz parte.
Ritmo R: velocidade e economia
O ritmo R é o mais rápido dos cinco e o único que Daniels não define por uma porcentagem do VO2máx. Fica perto do ritmo de prova de 1.500 m ou 1 milha, acima da velocidade do VO2máx (Daniels, 2022, cap. 4). O objetivo é mecânico e neuromuscular: correr rápido com boa forma, sem acumular fadiga, para melhorar a velocidade e a economia de corrida. Economia de corrida é o oxigênio gasto para sustentar uma velocidade, um conceito que o próprio Daniels ajudou a formalizar (Daniels, 1985).
Dose do ritmo R
Repetições de R ficam abaixo de 2 minutos: 200, 300 e 400 m são os formatos clássicos, com 600 m para corredores rápidos. A pausa é longa, 2 a 3 vezes o tempo de trabalho, porque o objetivo é cada repetição sair rápida e solta, não cansada. O exemplo do livro é 10 × 400 m com 3 minutos de recuperação. A dose por sessão é o menor valor entre 5% do volume semanal e 8 km (Daniels, 2022, cap. 4). Com 60 km por semana, são 3 km: 10 × 300 m, ou 7 × 400 m. Os tiros curtos (strides) ao fim de rodagens fáceis são a versão mínima desse trabalho e cabem em qualquer fase.
Dose por sessão: a tabela de referência
A tabela junta as regras de dose que Daniels dá no livro e aplica cada uma a dois volumes semanais comuns. Os limites são por sessão, não por semana, e valem para o trabalho na intensidade, sem contar aquecimento, pausas e volta à calma.
| Ritmo | Formato típico | Duração da repetição | Pausa | Limite por sessão (Daniels) | Com 50 km/semana | Com 80 km/semana |
|---|---|---|---|---|---|---|
| E | rodagem contínua; longão | contínuo; longão até 150 min | nenhuma | longão: 25 a 30% do volume semanal, até 150 min | longão de 15 km | longão de 20 km |
| M | contínuo ou bloco no longão | bloco contínuo | nenhuma | menor entre 110 min e 29 km | bloco de 8 a 10 km em M | bloco de 13 a 16 km em M |
| T | tempo run; cruise intervals | 20 min contínuos; ou 3 a 15 min | 1 min por 5 min de trabalho | 10% do volume semanal | 5 km (4 × 1.200 m) | 8 km (4 × 2 km) |
| I | repetições longas | 3 a 5 min (800 a 1.200 m) | trote igual ou menor que o trabalho | menor entre 8% e 10 km | 4 km (5 × 800 m) | 6,4 km (8 × 800 m) |
| R | repetições curtas | até 2 min (200 a 400 m) | 2 a 3 vezes o tempo de trabalho | menor entre 5% e 8 km | 2,5 km (8 × 300 m) | 4 km (10 × 400 m) |
Os exemplos são contas sobre as regras do livro, não treinos prescritos. Na fase específica, a sessão longa com bloco em M é uma sessão de qualidade com teto próprio, e o plano do catálogo mostrado adiante usa sessões assim maiores que o longão fácil. O longão de 20 km com 80 km semanais, por exemplo, respeita o teto de 25%, mas um corredor de 7:30/km levaria 150 minutos para cobri-lo e já encosta também no teto de 150 minutos.
Como montar a semana
A regra de montagem de Daniels é simples: sessões de qualidade (Q) em ordem, com dias E entre elas. No programa do livro para provas de 5 km a meia, são até três Q por semana, Q1, Q2 e Q3 (Human Kinetics, excerto do programa de Daniels). Entre elas ficam os dias E, com tiros curtos em dois dos dias fáceis. Para a maratona, o programa 2Q do livro usa duas sessões de qualidade por semana, e o resto da semana é E. As intensidades entram por fases: primeiro só E com strides, depois R, depois I, e por último T e M, as mais específicas para prova longa (Daniels, 2022, cap. 4).
A elite monta a semana do mesmo jeito. Corredores de alto nível usam corrida contínua em limiar e sessões de intervalo pelo menos uma vez por semana cada, numa distribuição piramidal que vira polarizada perto da competição (Casado e colegas, 2022). O trabalho na zona de limiar fica em 5 a 15% do volume e o intervalado acima dela em outros 5 a 15%; um sobe quando o outro desce (Haugen e colegas, 2022). Como Daniels se compara a outros métodos de maratona está em Daniels, Pfitzinger ou Hansons.
Uma semana real de um plano Daniels do catálogo
A tabela mostra as semanas 15 a 17 do plano Maratona Daniels intermediário do catálogo do Magic Training, de 24 semanas e seis treinos por semana (dados do catálogo lidos em 2 nov. 2026). O plano passa as semanas 1 a 6 só em E, com longão subindo de 85 a 135 minutos. Introduz I e T na semana 7 e coloca blocos em M dentro do longão a partir da semana 15. Há uma meia maratona simulada na semana 20 e a prova na 24.
| Dia | Semana 15 | Semana 16 | Semana 17 |
|---|---|---|---|
| Segunda | 9 km E | 11 km E | 11 km E |
| Terça (Q1) | 15 km: 2 km E + repetições de 1.600 m em I com 3 min de trote, num bloco de até 11 km com as pausas + 2 km E | 20 min E + 35 min em T + 50 min E | 2 km E + 6 × 1.000 m em I com 2 min de trote + 2 km E |
| Quarta | 7 km recuperação | 7 km recuperação | 7 km recuperação |
| Quinta | 15 km E | 16 km E | 16 km E |
| Sexta | 11 km E | 11 km E | 11 km E |
| Sábado (Q2) | 30 km: 8 km E + 13 km em M + 9 km E | 32 km E (pico do volume) | 35 km: 10 km E + 19 km em M + 6 km E |
| Domingo | descanso ou fortalecimento | descanso ou fortalecimento | descanso ou fortalecimento |
Os 19 km em M da semana 17 levam cerca de 94 minutos para quem corre a 4:57/km, dentro do teto de 110 minutos. As duas Q ficam separadas por três dias E, e a semana inteira tem um único treino de I ou T. Na semana 15, cada 1.600 m leva cerca de 6:50 para quem tem I de 4:16/km, acima da faixa de 3 a 5 minutos; se as últimas repetições perderem o ritmo, 1.200 m cumprem a mesma função. Nas semanas de T, o plano usa tanto cruise intervals (4 × 10 minutos com 90 segundos, na semana 12) quanto o contínuo de 35 minutos da semana 16.
Erros comuns
Dois erros já apareceram acima: o fácil que vira moderado, na seção do ritmo E, e o I corrido mais rápido que a tabela, na seção do ritmo I. Outros três estragam o método com a mesma frequência.
Tirar os ritmos da meta, não de uma prova recente
Um ritmo T calculado sobre o tempo que você quer correr faz a semana inteira migrar para cima: cada repetição vira um pedaço de prova, e o volume fácil deixa de ser fácil. Daniels tira a pontuação de uma prova corrida, e os ritmos acompanham a forma atual (Daniels, 2022, cap. 4). A meta se testa no dia da prova. Refaça a conta depois de cada 10 km ou meia corrida de verdade; o plano intermediário do catálogo pede essa atualização na semana 12.
Somar limiar nos dias fáceis
Se as rodagens fáceis viram moderadas, o volume entre os limiares sobe semana após semana, e esse é o perfil que não melhorou no ensaio de 9 semanas citado na seção do ritmo T. O limiar funciona dentro do orçamento de 10% por sessão, com o resto da semana em E.
Esquecer de atualizar os ritmos
Os ritmos valem para a forma que a prova mediu. Depois de 6 a 8 semanas de treino consistente, ou de uma prova nova, a pontuação muda e as tabelas também. Treinar por meses com ritmos antigos subestima o estímulo; treinar em dia de calor com ritmos de uma prova feita em condições ideais superestima. Nos dois casos, a referência é a prova mais recente comparável.
Como tirar os seus ritmos na calculadora mágica
Pegue a prova mais recente que você correu de verdade, de preferência dos últimos dois ou três meses, e coloque distância e tempo na calculadora mágica. Ela devolve o Índice Mágico, os ritmos de recuperação, E, M, T, I e R e os tempos equivalentes em outras distâncias.
Para um 10 km em 45:00, a calculadora dá E de 5:23 a 6:03/km, M de 4:57/km e T de 4:38/km (consulta em 2 nov. 2026). O I sai em 4:16/km (1:42 por 400 m) e o R em 94 segundos por 400 m, cerca de 3:55/km.
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Calcular meus ritmosOs números batem com as relações do método. O T fica 8 segundos por quilômetro mais lento que o ritmo do 10 km, o I 14 segundos mais rápido e o M 27 segundos mais lento. Se o seu relógio Garmin estima um limiar diferente, trate a estimativa como alarme e a prova como referência. Como ritmo, frequência cardíaca e sensação se traduzem entre si está em zonas de treino de corrida.
Com os ritmos em mãos, o passo seguinte é um plano que os use. Nos planos Daniels do catálogo, cada treino já sai com a zona certa e vai para o relógio pelo treino sincronizado com o Garmin, sem decorar séries. Depois de cada prova nova, informe o tempo nas configurações de ritmo do plano para os treinos acompanharem a forma atual.
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Qual a diferença entre ritmo T e ritmo de limiar do Garmin?
O T de Daniels é o ritmo de uma prova de cerca de 60 minutos, derivado das tabelas a partir de uma prova recente. O relógio estima o limiar a partir da estimativa de VO2máx, da FC e do ritmo em corridas fortes. Uma revisão sistemática de 2025 concluiu que as estimativas de limiar dos relógios ainda não são precisas o bastante para substituir um teste (Železnik Mežan, 2025). Use o relógio como referência e a prova como alvo.
Preciso fazer os cinco ritmos toda semana?
Não. Daniels distribui as intensidades por fases: só E no início, depois R, depois I, e T e M na fase específica (Daniels, 2022, cap. 4). No plano de maratona intermediário do catálogo, a semana típica tem duas sessões de qualidade, uma em I ou T e um longão com bloco em M, e o resto em E. Os tiros curtos ao fim das rodagens mantêm um toque de R o ano inteiro.
O ritmo I é o mesmo que ritmo de 5 km?
Perto, mas não igual. Daniels define o I como o ritmo de uma prova de 10 a 15 minutos, o que corresponde aos 3 a 5 km conforme o nível. Para o corredor de 45 minutos nos 10 km, a calculadora dá I de 4:16/km e 5 km equivalente em 21:50, ou 4:22/km. Para quem corre 5 km em menos de 15 minutos, o I fica mais perto dos 3 km.
Posso trocar o longão fácil por longão em ritmo M?
Em parte. Daniels coloca blocos de M dentro do longão na fase específica, como os 13 km em M dentro de 30 km na semana 15 do plano do catálogo. O teto por sessão é o menor valor entre 110 minutos e 29 km em M (Daniels, 2022, cap. 4), e o resto do longão fica em E. Longão inteiro em M toda semana vira prova semanal e cobra a recuperação de uma.
Quantos dias fáceis depois de uma prova no meio do plano?
A regra de Daniels é um dia E para cada 3 km de prova: cinco dias depois de 15 km, sete depois de uma meia (Human Kinetics, excerto do programa de Daniels). Só então as sessões Q voltam. Use a prova para atualizar os ritmos na calculadora antes de retomar.
Referências
- Daniels J. Daniels' Running Formula. Champaign: Human Kinetics, 4ª ed., 2022. Capítulo 4, "Types of Training and Intensities", e capítulo 5 sobre as tabelas de ritmo. Página da editora
- Human Kinetics. Sample running program from Daniels' Running Formula (excerto da 4ª ed.: sessões Q1, Q2 e Q3 com dias E entre elas; um dia E por 3 km de prova). humankinetics.com
- Daniels JT. A physiologist's view of running economy. Medicine and Science in Sports and Exercise, 1985;17(3):332-8. PubMed 3894870
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- Dados do catálogo lidos em 2 nov. 2026 a partir dos treinos do plano Maratona Daniels intermediário (24 semanas), semana a semana, com as zonas marcadas em cada sessão.
- Calculadora mágica do Magic Training, consulta em 2 nov. 2026 para um 10 km em 45:00. magic.training/calculadora


