Treino duplo de limiar: o método norueguês e a versão para amadores

Duplo limiar com números: lactato, volumes e sessões dos Ingebrigtsen e de Bakken, o que a ciência não provou e a versão em sessões únicas para amadores.

Por Treinador e criador do Magic Training

22 min de leitura

Corredores amadores largando numa prova de milha em pista de atletismo azul

Treino duplo de limiar é fazer duas sessões de intervalos no limiar, controladas por lactato, no mesmo dia, em geral com seis a oito horas entre elas (Bakken, 2026). O formato ficou conhecido pelos irmãos Ingebrigtsen, que corriam em média 140 a 160 km por semana, com 23 a 25% desse volume no ritmo do limiar anaeróbio ou acima dele (Tjelta, 2019). O detalhe que quase ninguém conta em português: nenhum estudo controlado testou a eficácia desse modelo (Casado e colegas, 2023).

Os números de lactato, volume e sessões publicados por quem criou o método mostram o que ele é e onde a evidência termina. O que se transfere para quem corre 50 a 90 km por semana é a versão em sessões únicas, que é o desenho dos dois planos noruegueses do catálogo para meia maratona e 10 km.

Em resumo

  • Duplo limiar: duas sessões de limiar no mesmo dia, com 6 a 8 h de intervalo, lactato entre 2 e 3 mmol/L, dentro de 150 a 180 km semanais (Bakken, 2026; Casado e colegas, 2023).
  • Não existe ensaio controlado do método. O experimento mais direto comparou uma sessão longa com duas curtas em 14 atletas e mediu só a resposta aguda; os próprios autores apontam que a literatura sobre o formato é limitada (Talsnes e colegas, 2024).
  • O modelo foi descrito apenas em corredores de 1500 m e 5000 m; para a maratona, a aplicabilidade "permanece incerta" (Casado e colegas, 2023).
  • Para 50 a 90 km por semana, o que se transfere é a sessão única: três treinos sublimiares por semana com 1 min de pausa, rodagens fáceis de verdade e longo leve.
  • Sem lactímetro, o sublimiar fica perto do ritmo de meia maratona, a 83 a 87% da FC máxima, com fôlego para frases curtas (Haugen e colegas, 2022; Bakken, 2026).

O que é o duplo limiar

O duplo limiar nasceu como a solução de um corredor para a própria estagnação. Marius Bakken, norueguês com 13:06.39 nos 5000 m e presença nas Olimpíadas de 2000 e 2004, conta que seus resultados pararam de melhorar entre 1996 e 1998 (Bakken, "About Marius"; Bakken, "The Norwegian Model", 2022). A partir de 1998, corredores noruegueses passaram a usar medidores de lactato para controlar a intensidade. A partir de 1999, as sessões de limiar foram dobradas.

A mudança central foi baixar o teto de lactato. Em vez do padrão de 4,0 mmol/L, Bakken passou a correr os intervalos abaixo de 3,0 mmol/L, "normalmente ficando entre 2,3 e 3,0" (Bakken, 2022). Na página de 2026 ele chama essa faixa de 2,3 a 3,0 mmol/L de "Golden Zone" e diz ter feito mais de 5.500 testes de lactato para calibrar o método (Bakken, 2026). Na página de 2022, ele mesmo avisa que o texto "não é de forma alguma um artigo científico".

A definição atual é direta: "dois treinos de limiar controlados são feitos no mesmo dia, em geral separados por cerca de seis a oito horas". Acima de oito a dez horas de intervalo, segundo Bakken, você passa a ter dois treinos separados em vez de um bloco estruturado (Bakken, 2026). Em textos de Portugal aparece também "limiar duplo"; aqui adotamos "duplo limiar" e "treino duplo de limiar".

Os números dos Ingebrigtsen

O caso de referência é o dos três irmãos Ingebrigtsen, todos campeões europeus dos 1500 m. Segundo o resumo de Tjelta (2019), eles corriam em média 140 a 160 km por semana, 23 a 25% no ritmo de limiar anaeróbio ou acima dele, com lactato medido em todas as sessões de intervalos. O estudo é observacional: descreve o treino, não testa o método.

Casado e colegas (2023), citando Tjelta, detalham as sessões: até quatro treinos de limiar por semana, com repetições de 2000 a 3000 m ou de 400 a 1000 m. As pausas vão de 20 segundos a 1,5 minuto, e cada sessão soma 8 a 12 km. Uma quinta sessão semanal sobe para a zona 4 ou 5 (o exemplo dado é 20×200 m em subida), e o longo não passa de 21 km.

A paternidade do método é disputada. Bakken escreve que, entre 2009 e 2013, o pai de Henrik Ingebrigtsen lhe pedia orientação sessão a sessão (Bakken, 2022). Gjert Ingebrigtsen, segundo o jornalista Alex Hutchinson, "minimizou a importância da influência de Bakken" (Hutchinson, Outside, 2023). Para quem treina, importa menos quem inventou e mais o que foi publicado com números.

Como é um dia (e uma semana) de duplo limiar

Um dia de duplo limiar combina intervalos longos de manhã e curtos à tarde, os dois na mesma faixa de lactato. Na descrição de Bakken, a manhã tem repetições de 6 a 10 minutos, como 2000 m ou 3000 m; a tarde, repetições de 400 a 1000 m, cerca de 15 a 20 segundos por quilômetro mais rápidas (Bakken, 2026). Para repetições de 1 minuto ou menos, ele considera ideais pausas de 15 a 30 segundos (Bakken, 2022).

ElementoSessão da manhãSessão da tarde
FormatoIntervalos longos, 6 a 10 min (2000 m ou 3000 m)Intervalos curtos, 400 m a 1000 m
Exemplos (semana de 2004; Bakken, 2025)6×2000 m; 4×10 min20 a 25×400 m; 10 a 12×1000 m
Lactato-alvo2 a 3 mmol/Lperto de 3,0 mmol/L em 2004; 2 a 3 mmol/L na regra de 2026
Pausas20 s a 1,5 min nas sessões dos Ingebrigtsen, manhã e tarde (Casado e colegas, 2023)idem; 15 a 30 s em repetições de até 1 min (Bakken, 2022)
Ritmoreferência15 a 20 s/km mais rápido que a manhã (Bakken, 2026)

A semana de Bakken em fevereiro de 2004

A semana que Bakken publicou do próprio treino mostra como os duplos se encaixam no restante (Bakken, 2025):

  • Segunda, quarta e sexta: duas rodagens fáceis por dia, zona 1.
  • Terça: manhã, 6×2000 m (lactato 2 a 3 mmol/L); tarde, 20 a 25×400 m (lactato perto de 3,0).
  • Quinta: manhã, 4×10 min (lactato 2 a 3 mmol/L); tarde, 10 a 12×1000 m (lactato perto de 3,0).
  • Sábado: manhã, 10×200 m em 26 a 28 segundos.
  • Domingo: longo, "nunca mais longo que 16 a 18 km".
  • Total: 180 km na semana.

Dois detalhes chamam a atenção de quem vem de planos de maratona. O longo é curto para o volume total, e a única sessão rápida da semana são dez tiros de 200 m. Quase tudo o que sobra é rodagem fácil. A semana-exemplo de Casado e colegas (2023) segue o mesmo desenho, com duplos na terça e na quinta. Os intervalos longos ficam a 2,5 mmol/L (5×6 min com 1 min de pausa); os curtos, a 3,5 mmol/L (10×1000 m com 1 min e 25×400 m com 30 s). O sábado tem 20×200 m em subida, e o total chega a cerca de 110 milhas (177 km), a maior parte fácil, na descrição de Hutchinson (2023).

Por que dividir o limiar em duas sessões

A lógica, segundo os próprios autores do modelo, é acumular mais volume no limiar com menos custo. Casado e colegas (2023) argumentam que o formato intervalado permite velocidades mais altas do que corridas contínuas na mesma faixa de lactato. A condição é usar repetições curtas, para o lactato não subir progressivamente, e pausas suficientes para ele voltar a níveis próximos do primeiro limiar. O controle apertado do lactato, para eles, "pode ser vantajoso".

Ficar abaixo do limiar em vez de acima tem um motivo de recuperação. O artigo cita um estudo de laboratório de Burnley e colegas, com contrações isométricas do quadríceps, em que o exercício acima do torque crítico gerou uma taxa de fadiga global e periférica quatro a cinco vezes maior do que abaixo dele. Não é um dado de corrida, mas ilustra o custo de passar do limiar. Bakken, segundo o mesmo artigo, "conseguiu realizar um volume de treino muito maior" no limiar do que quando fazia intervalados na zona 4, sem as catecolaminas elevadas dessa zona (Casado e colegas, 2023).

O artigo não apresenta um mecanismo fisiológico específico para colocar as duas sessões no mesmo dia. A justificativa é organizacional: concentrar a carga em dias duros, deixar os dias fáceis realmente fáceis e caber mais limiar na semana. Bakken acrescenta hipóteses próprias, como o "tônus muscular" da primeira sessão preparar a segunda, e as apresenta como experiência, não como evidência (Bakken, 2026).

O experimento: uma sessão longa ou duas curtas

Talsnes e colegas (2024) compararam os dois formatos de forma direta. Os autores registram que há literatura científica limitada para sustentar o duplo limiar. Catorze atletas de endurance do sexo masculino (11 esquiadores de cross-country e 3 corredores, VO2máx de 69,2 ± 4,2 mL/kg/min) completaram, em ordem cruzada, uma sessão de 6×10 min (SINGLE) e duas sessões de 3×10 min separadas por 6,5 horas (DOUBLE). A intensidade externa foi a mesma: 90% da velocidade a 4 mmol/L de lactato.

MedidaUma sessão (6×10 min)Duas sessões (2×3×10 min, 6,5 h entre elas)
Frequência cardíaca nos intervalossubiu de 168 ± 7 para 173 ± 7 bpm171 ± 9 bpm na 1ª sessão, 166 ± 9 na 2ª
Lactatosubiu de 2,60 ± 0,75 para 3,01 ± 0,81 mmol/L2,72 ± 0,96 na 1ª sessão, 2,14 ± 0,65 na 2ª
FC deitado, 60 min de recuperação65,4 ± 2,5 bpm60,7 ± 2,5 bpm
Percepção de esforço da sessão (sRPE)7,0 ± 1,06,0 ± 1,3
Carga de treino por sRPE929 ± 112743 ± 98
Fadiga na manhã seguinte (1 = ruim, 10 = excelente)7,0 ± 2,58,0 ± 1,0 (p = 0,049)
Dor muscular na manhã seguinte (1 = ruim, 10 = excelente)6,0 ± 2,57,0 ± 2,5 (p = 0,002)

Com a mesma carga externa, o formato dividido terminou o dia com menor frequência cardíaca em repouso, menor esforço percebido e menos fadiga e dor na manhã seguinte. Para Bakken, o resumo é "mesmo volume, menos custo" (Bakken, 2026). Os autores, porém, mediram apenas respostas agudas: nenhum desfecho de desempenho, nenhuma semana de treino. Eles escrevem que "estudos de intervenção futuros são necessários" e lembram que os participantes não estavam familiarizados com o duplo limiar (Talsnes e colegas, 2024).

O que a ciência ainda não sabe

Nenhum ensaio controlado testou se o duplo limiar funciona melhor do que outras organizações do mesmo volume. A frase é dos próprios autores do modelo: "nenhum estudo controlado testou a eficácia deste modelo de treino", que se apoia "apenas em estudos observacionais e relatos" (Casado e colegas, 2023). O artigo é um texto de posição assinado por Casado, Foster, Bakken e Tjelta, ou seja, pelo criador do método e pelo pesquisador que descreveu os Ingebrigtsen.

O mesmo artigo reconhece quatro limites:

  • As características do treino e seus efeitos "foram descritos apenas em corredores de 1500 m e 5000 m".
  • A aplicabilidade "em outras provas de endurance, como a maratona, permanece incerta".
  • O modelo "também pode representar um risco aumentado de lesão/síndrome de overtraining".
  • Os valores que separam as zonas "devem ser detectados para cada atleta por meio de testes fisiológicos".

A base de evidência também é pequena. A revisão sistemática de Kelemen e colegas (2023) encontrou apenas sete artigos com registro sistemático de treino, somando 13 corredores de elite. Hutchinson resume o estado da arte: os estudos necessários "são realmente difíceis de fazer" e ele não espera "respostas definitivas tão cedo" (Hutchinson, 2023).

O próprio Tjelta pede cautela ao transferir o caso Ingebrigtsen. "Eles tiveram sorte com os genes, devem ter tido", disse ele à ScienceNorway; "você pode tentar seguir o programa de treino deles, mas não há esperança de ficar tão bom" (Schjølberg, ScienceNorway, 2019). Haugen e colegas (2022) fazem o alerta de forma geral: "muitos atletas sem sucesso aplicaram a mesma 'receita' dos corredores bem-sucedidos".

Quem consegue fazer treinos duplos

Treinos duplos de limiar fazem sentido em semanas de 150 a 180 km. Bakken escreve que 120 km é "um mínimo" para meio-fundo e fundo para muitos, e que 160 a 180 km "para a maioria funcionará melhor". Para fundistas de 5000 m, ele dá uma faixa de 150 a 220 km (Bakken, 2022). Casado e colegas descrevem o modelo com corrida de baixa intensidade até um total de 150 a 180 km semanais (Casado e colegas, 2023).

Dois dias duplos, com um dia fácil inteiro entre eles

Dentro desse volume, a dose é de dois dias duplos por semana. O modelo original tinha "duas vezes por semana duas sessões de limiar", mais uma sessão semanal de estímulo diferente, um pouco mais intensa (Bakken, 2022). Depois de testar três dias duros, Bakken concluiu que, "de modo geral, duas sessões de limiar são suficientes". Em 2026 ele acrescenta que, para a maioria dos corredores treinados com dois dias duplos, pelo menos um dia inteiro fácil entre eles "não é opcional" (Bakken, 2026).

Ele mesmo testou o excesso. "Tentei diversas variantes com trabalho de limiar todos os dias, principalmente sublimiar", escreve, "levando bastante rápido ao overtraining"; o estímulo diário nunca permitia recuperação completa (Bakken, 2026). Na página de 2022 o veredito é o mesmo: o efeito de fazer limiar todo dia "é pequeno" e "a chance de overtraining é muito maior". No verão, seus duplos eram "reduzidos a trabalho de limiar único, com duplos apenas ocasionais" (Bakken, 2025).

Para quem corre 50 a 90 km por semana, a conta não fecha. Dois dias com duas sessões de limiar consumiriam a maior parte do volume e deixariam pouco espaço para a rodagem fácil, que no modelo original é a maior parte dos quilômetros. Haugen e colegas (2022) lembram que a maioria das lesões é atribuída a aumentos rápidos e excessivos da carga, e que o subdesempenho por overtraining tende a aparecer junto de volumes altos. A alternativa realista é a sessão única.

A versão para amadores: sessões únicas sublimiares

A parte do método que se transfere para 50 a 90 km semanais é a sessão de limiar controlado, não o dia duplo. Em vez de dois treinos no mesmo dia, você faz três sessões sublimiares por semana em dias separados, com pausas curtas, cercadas por rodagens fáceis de verdade e um longo leve. O formato ganhou na internet o apelido de "Norwegian singles", descrito pela Outside Run como um sistema "em grande parte criado em comunidade" a partir de um fórum (Outside Run, 2025). Trate o nome como rótulo, não como evidência.

A estrutura, porém, tem apoio em dados de elite e em correlações. Haugen e colegas (2022) definem "limiar" como intensidade próxima ao ritmo de meia maratona. As sessões típicas que listam são 10 a 12×1000 m com 1 min de recuperação e 6 a 8×1500 a 2000 m com 1 a 2 min, com tempo total recomendado de 30 a 75 min para corredores de elite.

Os dados correlacionais apontam na mesma direção. Entre 85 corredores do sexo masculino, Casado e colegas (2021) encontraram que rodagens fáceis (r ≥ 0,68) e tempo runs (r ≥ 0,50) foram as atividades que explicaram variância significativa do desempenho. A correlação com intervalos longos foi fraca (r ≥ 0,22). É um estudo correlacional, não um ensaio.

Como os planos noruegueses do catálogo aplicam isso

Os dois planos noruegueses do catálogo do Magic Training usam esse desenho. O plano de meia maratona tem 14 semanas, 60 a 90 km por semana e seis dias de corrida, para quem já corre 55 km ou mais. Nas semanas de carga (1 a 9) são três sessões sublimiares, todas com 1 min de pausa: 5 a 8×6 min, 9 a 14×3 min e 5 a 6×1 km. O terceiro treino alterna 1 km, 2 km e 3 km. A maior sessão, 8×6 min, soma 48 min no limiar controlado, dentro da faixa de 30 a 75 min que Haugen e colegas descrevem para a elite.

A semana 1 mostra o encaixe:

  • Segunda: descanso.
  • Terça: 3 km fácil + 5×6 min sublimiar (1 min de pausa) + 2 km.
  • Quarta: 9 km fácil.
  • Quinta: 3 km + 10×3 min (1 min) + 2 km.
  • Sexta: 8 km fácil.
  • Sábado: 3 km + 5×1 km (1 min) + 2 km.
  • Domingo: longo de 16 km, leve.

As semanas 4 e 8 são mais leves. Da semana 10 à 13, o sábado vira ritmo de meia (3×3 km com 2 min; 2×5 km com 3 min; 6 km contínuos; 4 km), e o longo chega a 24 km na semana 10. Na semana da prova: 4×3 min sublimiar na terça, 3×2 min em ritmo de prova na quinta, prova no domingo.

O plano de 10 km segue a mesma lógica em 12 semanas, com 55 a 80 km semanais e seis dias de corrida, para quem já corre 50 km ou mais. A primeira semana tem 4×6 min, 8×3 min e 4×1 km, todas com 1 min, e longo de 14 km. O VO2máx (5×1 km) só aparece na semana 9, e o ritmo de prova, nas semanas 10 a 12.

Duplo limiar e sessões únicas, lado a lado

AspectoDuplo limiar (elite)Sessões únicas (versão para amadores)
Volume semanal150 a 180 km (Casado e colegas, 2023); 180 km na semana de Bakken em 200460 a 90 km (meia maratona); 55 a 80 km (10 km)
Sessões de limiar por semana3 a 4, concentradas em 2 dias duplos3, em dias separados
Formato típicomanhã 6×2000 m; tarde 20 a 25×400 m5 a 8×6 min; 9 a 14×3 min; 5 a 6×1 km, com 1 min
Controle de intensidadelactato 2 a 3 mmol/L (Bakken); 2 a 4,5 mmol/L (Casado e colegas)ritmo de prova recente, FC e teste da conversa (ver seção seguinte)
Rodagem fácillactato abaixo de 1,0 mmol/L, FC abaixo de 70% (Bakken, 2022)fácil de verdade, sem zona cinzenta
Longonunca acima de 16 a 18 km (semana de 2004; Bakken, 2025); até 21 km (Ingebrigtsen)14 a 24 km, leve
Trabalho acima do limiar1 sessão por semana em zona 4 ou 5ritmo de prova (e, no 10 km, VO2máx) só nas semanas finais
Evidênciaobservacional, sem ensaios controladosestrutura apoiada em prática de elite e correlações, sem ensaio próprio

Como acertar a intensidade sem lactímetro

Sem lactímetro, a intensidade do sublimiar se controla por ritmo, frequência cardíaca e conversa, usados juntos. O próprio Bakken reconhece que "poucos corredores têm acesso a testes de lactato no treino" e aponta a frequência cardíaca como "o substituto mais prático, mas que não deve ser usado sozinho" (Bakken, 2026). A percepção de esforço, para ele, é "a menos confiável das três isoladamente".

ReferênciaFaixa do sublimiarFonte
Lactato2 a 3 mmol/L ("Golden Zone" de 2,3 a 3,0); 2,0 a 3,5 mmol/L na zona 3Bakken, 2026; Haugen e colegas, 2022
FC máxima80 a 87% "para corredores bem treinados"; 83 a 87% na zona 3Bakken, 2026; Haugen e colegas, 2022
Percepção de esforço14 a 16 na escala de Borg de 6 a 20Haugen e colegas, 2022
Ritmo"próximo ao ritmo de meia maratona"Haugen e colegas, 2022
Conversafrases curtas, sem conversa confortávelBakken, 2026

Na prática, comece pelo ritmo. Tire os ritmos de uma prova recente, nunca de um tempo desejado, na calculadora mágica: o sublimiar fica perto do ritmo de meia maratona. Confira com a frequência cardíaca, usando sua FC máxima e as zonas de treino na faixa de 83 a 87%. Lembre que a FC sobe ao longo da sessão mesmo em ritmo constante: em Talsnes e colegas (2024), ela foi de 168 para 173 bpm dentro da sessão única. Por fim, o teste da conversa: você deve conseguir falar frases curtas, não manter um bate-papo.

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Por que perseguir um número de lactato é falsa precisão

Mesmo com aparelho, o número tem erro do tamanho da zona-alvo. Em Tanner e colegas (2010), o Lactate Pro teve erro típico de 0,5 mmol/L dentro do mesmo aparelho e o Lactate Scout, de 1,0 mmol/L. Na comparação direta, o Scout leu até 0,9 mmol/L acima do Pro.

Bonaventura e colegas (2015) testaram seis analisadores portáteis e encontraram confiabilidade em geral abaixo de 0,5 mmol/L entre 1 e 10 mmol/L. Mesmo assim, duas unidades da mesma marca (Lactate Pro) diferiram de forma significativa em todas as faixas, e os autores recomendam "usar exatamente a mesma unidade". O local da coleta também muda a leitura: em Zhong e colegas (2025), durante exercício de membros superiores no SkiErg, o lactato na ponta do dedo foi em média 0,66 mmol/L mais alto do que no lóbulo da orelha.

A "Golden Zone" de Bakken, de 2,3 a 3,0 mmol/L, tem 0,7 mmol/L de largura. Erros de aparelho e de coleta de 0,5 a 1,0 mmol/L cobrem a zona inteira. Por isso tanto Bakken quanto Casado e colegas insistem que os valores precisam ser individualizados. Para a maioria dos amadores, ritmo, frequência cardíaca e conversa usados juntos são o controle realista.

Erros comuns no treino sublimiar

Correr o sublimiar rápido demais

É o erro que o próprio método foi criado para evitar. Hutchinson relata que corredores acostumados a "martelar" intervalados "realmente têm dificuldade de ir devagar o suficiente" nessas sessões (Hutchinson, 2023). A regra de Bakken: se o lactato "está passando de 3 mmol/L na última repetição, a intensidade está alta demais" (Bakken, 2026). Sem lactato, use o ritmo de meia maratona como teto e o teste da conversa como alarme.

Fazer limiar todo dia

Bakken tentou e relata overtraining "bastante rápido" (Bakken, 2026). Sua conclusão para a elite, dentro de 180 km semanais, foi dois dias de limiar por semana com pelo menos um dia fácil completo entre eles. Nos planos do catálogo, são três sessões únicas em dias alternados; não acrescente uma quarta.

Deixar a rodagem fácil virar "moderada"

No modelo de Bakken, a corrida fácil fica abaixo de 1,0 mmol/L de lactato e abaixo de 70% da FC máxima (Bakken, 2022). Corredores de elite fazem 80% ou mais do volume em baixa intensidade durante todo o ano (Haugen e colegas, 2022). Se a rodagem sobe para a zona 2 de Haugen (73 a 82% da FC máxima), ela deixa de ser recuperação. A lógica da divisão 80/20 ajuda a conferir sua semana.

Copiar o volume da elite

Os 140 a 160 km dos Ingebrigtsen vieram depois de anos de progressão: Jakob "não fez isso até os 17 ou 18 anos", segundo Tjelta (Schjølberg, ScienceNorway, 2019). Haugen e colegas lembram que a maioria das lesões é atribuída a aumentos rápidos e excessivos de carga e que, quanto menor a idade de treino, mais cuidadosa deve ser a progressão (Haugen e colegas, 2022). Um plano para 60 a 90 km não é uma versão diluída do método; é a dose que o seu volume comporta.

Confiar em um único número de lactato

Um valor isolado de lactato não diz se você está na zona certa: o aparelho e o local da coleta mudam a leitura em 0,5 a 1,0 mmol/L (Tanner e colegas, 2010; Zhong e colegas, 2025). Casado e colegas recomendam detectar os valores de cada atleta com testes fisiológicos, e Bakken escreve que seus valores "também precisam ser individualizados" (Casado e colegas, 2023; Bakken, 2022). Se você mede, meça sempre com o mesmo aparelho, no mesmo local, e compare tendências, não números absolutos.

Perguntas frequentes

Preciso de um lactímetro para treinar no método norueguês?

Não para a versão em sessões únicas. Bakken afirma que poucos corredores têm acesso a testes de lactato e aponta a frequência cardíaca, combinada com o teste da conversa, como substituto prático (Bakken, 2026). Para a elite, o lactímetro serve para manter 2 a 3 mmol/L em sessões de 8 a 12 km no limiar (Casado e colegas, 2023). Para um amador, o ritmo de meia maratona da calculadora e 83 a 87% da FC máxima cumprem o papel, e o aparelho tem erro de 0,5 a 1,0 mmol/L (Tanner e colegas, 2010).

Qual é o ritmo e a frequência cardíaca do sublimiar?

Perto do ritmo de meia maratona, a 83 a 87% da FC máxima e percepção de esforço 14 a 16 na escala de Borg, o que corresponde a 2,0 a 3,5 mmol/L de lactato (Haugen e colegas, 2022). Bakken dá 80 a 87% para corredores bem treinados (Bakken, 2026). Para transformar isso em um ritmo em min/km, parta de uma prova recente, nunca de um tempo desejado.

Duas sessões de limiar no mesmo dia são melhores do que uma sessão longa?

Em custo agudo, sim; em desempenho, ninguém sabe. No experimento de Talsnes e colegas, duas sessões de 3×10 min com 6,5 h de intervalo deixaram 14 atletas com menor FC de recuperação, menor esforço percebido e menos fadiga na manhã seguinte do que uma sessão de 6×10 min (Talsnes e colegas, 2024). O estudo não mediu desempenho, e nenhum ensaio controlado testou o modelo (Casado e colegas, 2023).

O método norueguês funciona para maratona?

Não se sabe. Casado e colegas escrevem que o modelo foi descrito apenas em corredores de 1500 m e 5000 m e que sua aplicabilidade na maratona "permanece incerta" (Casado e colegas, 2023). Em uma revisão sistemática de dez estudos, maratonistas de elite seguiram em geral uma distribuição piramidal, a maior parte fácil, uma fatia no limiar e pouco acima dele (Casado e colegas, 2022). Isso não contradiz a lógica sublimiar, mas também não a testa. Para o treino de maratona, os métodos com prática mais longa continuam sendo a referência.

Quantas sessões de limiar por semana um amador deve fazer?

Três sessões únicas em dias alternados, se você já corre 50 a 55 km ou mais por semana, como nos planos noruegueses do catálogo. Com menos de 50 km semanais, faça menos sessões de qualidade: três treinos assim num volume baixo deixam pouco espaço para a rodagem fácil, que é a maior parte dos quilômetros no modelo original (Bakken, 2025). Treinos duplos ficam para quem corre 120 km ou mais (Bakken, 2022).

O duplo limiar é uma ferramenta de 180 km por semana, criada por e para corredores de pista, e sem ensaio controlado que a sustente. O que ele ensina a quem corre 50 a 90 km é mais simples: três sessões sublimiares por semana, no ritmo certo, com pausa curta, e o restante fácil de verdade. Se ainda não sabe qual plano combina com o seu volume e a sua prova, o quiz de planos faz a triagem.

Referências

  • Bakken M. The Norwegian Model. mariusbakken.com, 2022 (texto original do modelo). mariusbakken.com
  • Bakken M. The Norwegian Model Revisited. mariusbakken.com, Kristiansand, 21 abr. 2025. mariusbakken.com
  • Bakken M. Double Threshold Training. mariusbakken.com, Kristiansand, 22 mar. 2026. mariusbakken.com
  • Bakken M. About Marius. mariusbakken.com. mariusbakken.com
  • Tjelta LI. Three Norwegian brothers all European 1500 m champions: What is the secret? International Journal of Sports Science & Coaching, 2019;14(5):694-700. DOI 10.1177/1747954119872321
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  • Dados dos planos noruegueses do catálogo extraídos em 20 out. 2026 da tabela de treinos de cada plano, contando como "limiar" os blocos marcados na zona de limiar.

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